“A cultura alemã é muito diferente da nossa”


Dolores Silva e a experiência no futebol germânico.

Nas últimas seis épocas, Dolores Silva esteve na Alemanha, tendo representado o USV Jena nas temporadas 2015/16 e 2016/17.

A jogadora de 25 anos falou com o Sindicato sobre a sua carreira e as diferenças entre o futebol feminino português e alemão.

O que a levou a emigrar?
Sempre tive o sonho de ser profissional de futebol. Quando surgiu a oportunidade certa não hesitei em arriscar.

Como foi a adaptação ao USV Jena?
Foi relativamente fácil. Fui bem recebida pela equipa e pelo clube, o que acabou por facilitar a adaptação.

Sentiu grandes diferenças em relação ao FCR Duisburg e ao MSV Duisburg?
O FCR e o MSV eram o mesmo: as mesmas jogadoras e staff. Só mudou o nome porque nos juntámos à equipa dos homens, conhecida por MSV. Senti diferença a esse nível, já que este clube é só para o futebol feminino. Sendo assim, não tem tanta projeção de nome como o MSV. Mas de resto é mais ou menos o mesmo.

Já passou por três clubes alemães. Alguma razão por essa preferência?
Dois clubes, a contar já com o FF USV Jena, visto que o FCR se tornou MSV, mas manteve a base do clube, como referi. Já estou há seis anos neste país e a minha preferência vai pelo campeonato alemão. Gosto muito da competitividade e permite-me viver várias experiências.

Viveu algum episódio caricato no estrangeiro?
Sim, alguns. O facto de a cultura ser muito diferente da nossa, baseada em regras e no cumprimento severo das mesmas, algo que no nosso país não há tanto, já me proporcionou episódios engraçados. Por exemplo, estar vermelho para os peões e não estar nenhum carro a passar, eu atravesso e eles reclamam, ficando à espera que o sinal fique verde. Mesmo que não haja nenhum carro a circular por perto!

Está inscrita no sindicato alemão?
Sinceramente não sei. Aqui costuma estar tudo inserido nos contratos profissionais, por isso parto da ideia que sim, mas a nível de sindicato sinceramente não sei como funciona. Mas estou inscrita no português.

Sente alguma tristeza pelo 1.º Dezembro ter terminado com a modalidade de futebol feminino?
Claro que sim, muita. É o clube onde cresci, formei e onde vivi momentos muito felizes, enquanto jogadora e enquanto pessoa. Pela sua história no futebol feminino é triste quando de repente se deixa de ver o nome dele inserido no futebol feminino atual. Como tal gostaria muito que voltassem a apostar no futebol feminino e que o clube pudesse regressar às competições femininas em Portugal.

Enquanto esteve no 1.º Dezembro ganharam sete Nacionais Femininos e cinco Taças de Portugal. Que importância tiveram esses títulos na sua carreira?
Foram, sem dúvida, títulos muito importantes e que marcaram a minha carreira. Ajudaram-me a impulsionar e a realizar mais sonhos no futebol, desde a minha primeira internacionalização a mais tarde a oportunidade de ser profissional. Foram e são um marco muito importante.

Que diferenças sente entre o futebol nacional e o futebol alemão?
A liga alemã é profissional há muitos anos, enquanto a portuguesa continua a ser amadora. Comparar ambas seria bastante discrepante, porque estamos a falar de realidades ainda muito diferentes. Mas Portugal está num bom caminho e espero que um dia consiga chegar a essa realidade. Seria um feito para o futebol feminino português.

Qual é a sua opinião sobre a atuação do SJPF?
Penso que tem sido fundamental para o desenvolvimento do futebol feminino português. Sobretudo pelo apoio prestado a todas as jogadoras, quer às que permanecem em Portugal, quer às que estão no estrangeiro.

Perfil
Nome: Dolores Isabel Jacome Silva
Data de nascimento: 7 de agosto de 1991
Posição: Médio
Clubes que representou: 1.º Dezembro, FCR Duisburg, MSV Duisburg e FF USV Jena.