“O futsal nacional vive um bom momento”


Ré e a evolução da modalidade em Portugal.

Nélson Santos, conhecido como Ré no futsal, tem 31 anos e defende as cores do Benfica há três épocas. Internacional por Portugal, o ala encarnado não pensa ainda no fim da carreira e mostra-se ambicioso no que se refere a títulos…

Como nasceu a paixão pelo futsal?
Desde a infância, altura em que comecei a jogar com os meus amigos e colegas.

No início da carreira acreditava que um dia viria a jogar no Benfica e ter a oportunidade de ser campeão nacional?
Um dos meus maiores objetivos sempre foi jogar na equipa do meu coração que é o Benfica. Depois de cá chegar o objetivo passou a ser ganhar títulos.

Em 2011/12 representou o El-Jaish Sports Club, do Qatar. Como foi essa experiência?
Não foi de todo uma boa experiência, porque não pude jogar: o clube não chegou a acordo para rescindir contrato com o jogador que fui substituir e fiquei numa situação delicada por causa do número de estrangeiros.

O que o levou a emigrar?
Decidi emigrar porque financeiramente a proposta era muito boa. Não podia recusar.

E porque regressou a Portugal?
Entretanto, o clube decidiu acabar com a aposta no futsal e decidi regressar a Portugal.

Quais são as diferenças entre a liga do Qatar e a liga portuguesa?
É uma liga menos competitiva que a portuguesa. Cada equipa só pode jogar com dois estrangeiros e isso afeta a qualidade do jogo. Uma realidade completamente diferente do que estava habituado, até porque lá, a grande maioria dos jogos realizam-se em dois pavilhões - não há o jogar fora e em casa. É tudo muito diferente.

Compensa ser profissional de futsal?
Ser jogador de uma equipa grande em Portugal compensa, até porque não é apenas o fator económico que nos permite avaliar se os nossos esforços e dedicação valem a pena. Jogar num clube como o Benfica, ganhar títulos e jogar com pavilhões cheios, dá-nos uma satisfação inigualável.

Considera a liga portuguesa competitiva?
Sim, considero. Basta ver os resultados todas as semanas para perceber que se trabalha cada vez melhor em todos os clubes e que já não há jogos fáceis.

Enquanto jogador da modalidade, lamenta que um grande como o FC Porto não aposte no futsal?
Sendo Portugal um país de futebol, penso que poderia ser uma mais-valia para a modalidade e, provavelmente, contribuiria para o crescimento da nossa liga. Mas atualmente o futsal nacional vive um bom momento com as equipas que tem.

Olhando para trás, para o início da sua carreira, que diferenças vê entre o futsal de então e o de agora?
Acredito que a maior mudança, e positiva, foi os clubes terem passado a apostar cada vez mais nos jovens talentos portugueses. Isso é bom para o desenvolvimento da modalidade e, futuramente, para a Seleção Nacional.

O que lhe falta conquistar?
Um título com a seleção e uma UEFA Futsal Cup com o Benfica.

Até que idade pensa jogar?
Não tenho uma idade estipulada. Pretendo jogar enquanto me sentir bem fisicamente e psicologicamente.

Deseja terminar a carreira no Benfica?
Sim, é o que desejo, mas creio que ainda falta muito tempo para acabar a carreira…

Que balanço faz do último Mundial, no qual Portugal terminou no 4.º lugar e o Ré teve a oportunidade de participar?
Ficámos em 4.º lugar, mas tínhamos as condições necessárias para entrar na história de Portugal em fases finais dos Mundiais. Infelizmente não aconteceu, mas vamos trabalhar para que o possamos fazer nas próximas competições em que participarmos.

O que falta à Seleção Nacional para vencer uma competição internacional?
Acreditar que somos capazes de saber usar as armas que temos à nossa disposição.

Quais são as suas expetativas para esta temporada, a nível individual e coletivo?
A nível individual é dar o meu melhor e ajudar a equipa, enquanto em termos coletivos passa por ganhar todas as provas em que estamos inseridos.

Que impressão tem das atividades do sindicato?
Tenho conhecimento que o Sindicato tem sido muito importante para atletas que não passam por bons momentos: ajuda-os, acolhe-os e consegue, através de várias iniciativas, promover o seu talento e valor, no sentido de os reinserir no mercado de trabalho. Também conheço situações em que ajuda os atletas legalmente e juridicamente, dando-lhes o apoio que mais ninguém pode dar.

Perfil
Nome: Nélson Ricardo Gomes Alves Santos “
Data de nascimento: 4 de outubro de 1985
Posição: Ala
Clubes que representou: UPVN, Priorenses, Odivelas, Sassoeiros, Sporting, Leões de Porto Salvo, El Jaish (Qatar) e Benfica.

Foto: Rui Raimundo/ASF.