FIFPro apoia Platini contra multipropriedade


Estão em causa os detentores de passes de jogadores.

A FIFPro manifestou-se a favor da insatisfação demonstrada por Michel Platini, presidente da UEFA, quanto à atividade dos fundos que possuem os passes de jogadores. Após o regresso do Cazaquistão, onde teve lugar o Congresso da UEFA, Theo Van Seggelen, secretário geral da FIFPro (na foto), referiu que “não deve haver lugar para terceiras entidades no futebol”.

A multipropriedade define-se pelo acordo entre um clube e uma terceira entidade (seja ela uma empresa ou um sujeito individual, como fundos de investimento ou agentes) de maneira a que esta possua uma percentagem do passe do jogador numa eventual futura transferência.

A FIFPro é contra este procedimento porque as terceiras entidades são capazes de influenciar os direitos contratuais de ambas as partes interessadas. Além disso, o direito de multipropriedade interfere com as liberdades individuais do jogador, uma vez que este poderá ser instigado a transferir-se ou a escolher um clube em detrimento de outro apenas tendo em conta os benefícios económicos do clube ou da terceira entidade. A FIFPro chega mesmo a referir que este conceito se aproxima muito da ideia de “escravatura moderna”.

“A FIFA tem o dever, a um nível global, de se assegurar que os direitos de multpropriedade não devem sobreviver no futebol contemporâneo”, conclui Van Seggelen.

O SJPF concorda com esta posição. Contudo, atendendo à atual condição do futebol português - em muitos casos dependente desta realidade para se tornar mais competitivo -, o Sindicato entende que propriedade de jogadores por entidades terceiras (multipropriedade), face aos problemas que suscita, deve merecer uma regulamentação adequada, relevando a fixação de limites e a de um período de transição.