“Um bom capitão deve ter sensatez para decidir”


Aos 35 anos, o capitão do Portimonense está de regresso à Primeira Liga com os algarvios. Dentro de dois ou três anos pensará no futuro, sempre ligado ao futebol.

Como foi eleito capitão do Portimonense?
Após a minha primeira época no Portimonense, o capitão da altura, que era o Duca, deixou de jogar. Eu só tinha um ano de contrato, o presidente chamou-me para renovar e disse-me que queria eleger-me capitão. Ainda tinha o Marinho à minha frente, que era vice-capitão, e na minha terceira época é que passei a primeiro capitão.

Ficou surpreendido com a escolha?
Por um lado sim, por já estar no grupo dos candidatos no meu segundo ano. Mas na minha carreira estive sempre no grupo dos capitães principalmente nas camadas jovens, onde fui muitos anos capitão do Vitória de Setúbal. Exerci essa função desde os iniciados.

De todos os clubes que representou, só no Moreirense é que não foi capitão de equipa?
Sim. Estive lá apenas uma época e tinha jogadores com muita ligação ao clube que poderiam exercer essa função.

Como é que surgiu o empréstimo ao Moreirense?
O Portimonense ficou numa posição que dava a descida à II Divisão B. Havia a possibilidade de não descer, mas o clube ia viver essa indecisão e não tinha condições para pagar, portanto disseram-me para ver o que seria melhor para mim. Pouco depois, o Portimonense ficou a saber que não ia descer, mas já tinha assinado pelo Moreirense.

Quais são as características de um bom capitão?
Cada capitão tem maneiras diferentes de exercer a função. Acima de tudo profissionalismo, responsabilidade, coerência, o saber tratar dos problemas e o caráter. E a sensatez para poder decidir.

Como capitão, alguma vez precisou de chamar a atenção de um colega de forma mais autoritária?
Já aconteceu chamar de forma mais rude. Não que seja característico meu, tento primeiro resolver as coisas de outra maneira, mas se não conseguir claro que tenho de encontrar outra via. Entendo que o diálogo mais pacificador é aquele que mais se ajusta, mas claro que há situações que nem sempre podem ser resolvidas assim.

Que valores transmite a quem chega ao clube?
Primeiro que tudo, fazê-lo saber que tem um grupo que o vai acolher bem, vai estar dentro de uma família. Depois fazê-lo ver aquilo que é o clube: a história, a grandeza e a região onde se encontra.

Há algum capitão de equipa que tenha como exemplo?
Sim. Um que foi uma grande referência no Vitória de Setúbal, fantástico como homem e profissional, o Hélio Sousa. E também um jogador do qual sou grande fã, um ídolo para mim, o Javier Zanetti.

Um bom capitão é determinante no sucesso da equipa?
Em todas as equipas o capitão acaba por ter uma responsabilidade acrescida e o bom funcionamento de um grupo passa também por aquilo que o capitão consegue fazer no dia-a-dia.

O capitão deve falar com o árbitro durante o jogo?
Sim. Os próprios árbitros, muitos deles, incentivam a isso. Acho que o respeito tem de ser mútuo e se for tudo tratado dentro desse registo, acho que nunca haverá problema. Aliás, nunca tive problema algum com nenhum árbitro, provavelmente pelo discurso que tenho.

Foi eleito para o melhor 11 do ano da II Liga na época passada. Esperava esse reconhecimento por parte dos colegas de profissão?
Por acaso não. Na II Liga há muitos e bons jogadores. Mas fiquei extremamente orgulhoso, ainda por cima com uma votação feita por colegas de profissão. Ainda para mais com 35 anos, de facto deixa-me orgulhoso e dá-me força para continuar a jogar e a trabalhar.

O final da carreira está para breve ou ainda falta?
Felizmente ainda falta. Sinto-me bem, física e psicologicamente. Acredito que daqui a um ano estarei na I Liga com o Portimonense. Vou jogar mais dois/três anos e depois então pensarei nisso.

O Sindicato definiu como prioridade a qualificação dos jogadores. Está a frequentar algum curso superior?
Não. Tenho já o curso de treinador e a área de dirigismo também me agrada. O Sindicato está de parabéns porque dá-nos a oportunidade de estarmos preparados para outros cargos quando terminarmos a carreira, algo que não acontecia há alguns anos.

Alguma vez precisou de recorrer ao Sindicato?
O Portimonense é um clube que cumpre escrupulosamente os seus compromissos, portanto tive a felicidade de nunca precisar.

Que opinião tem do trabalho desenvolvido pelo SJPF?
O Sindicato tem vindo a crescer e tem uma preponderância muito grande no futebol português. Todo o trabalho realizado pelo Dr. Evangelista e pelos seus pares tem sido fantástico.

Perfil
Nome: Ricardo Jorge Rodrigues Pessoa
Data de nascimento: 5 de fevereiro de 1982
Posição: Defesa
Clubes que representou: Estrela de Vendas Novas e Vitória de Setúbal (formação), Vitória de Setúbal, Moreirense e Portimonense.